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Decreto e Destino Divinos e Graça Divina

Colocado no site em 16.11.2006

Autor M.Fethullah Gülen

Decreto Divino significa realizar as decisões ou julgamentos do Destino. Inclui simultaneamente nossas ações e sua criação por Deus, porque Deus nos permite fazer o que quisermos fazer trazendo-o à existência. A palavra em árabe traduzida aqui como Graça Divina é “ata”, que quer dizer dar livremente e liberalmente.

Deus tem dois principais registros: a Suprema Tábua Preservada (correspondendo ao Destino ou Conhecimento Divino) e o Livro Manifesto (correspondendo à realidade do tempo). A Suprema Tábua Preservada nunca muda, uma vez que Deus também tem uma Vontade absolutamente irrestrita e, portanto não é restrito pelo Destino que Ele estabeleceu para Suas criaturas. No entanto, Ele pode mudar o que registra no Livro Manifesto: Allah contesta ou confirma o que Lhe apraz, porque o Livro-matriz está em Seu poder (13:39).

Essa sutil questão é difícil de entender. Apesar de que não podemos entender completamente a realidade desse confronto e confirmação, nós freqüentemente o testemunhamos em nossas vidas. Por exemplo, um dia saímos de casa com a intenção de ir a um lugar onde pecados são livremente cometidos. Contudo, por Sua misericórdia e favor, Deus faz com que encontremos bons amigos que nos persuadem a ir a um bom lugar. Da mesma forma, nós cometemos pecados livremente e, portanto estamos sujeitos ao infortúnio. Mas ao invés de lidar conosco usando de Sua Justiça, Deus, por Sua graça, nos trata com extrema benevolência e nos perdoa, dessa forma nos salva do infortúnio.

A Graça Divina existe para que não nos desesperemos em sermos perdoados, de forma que possamos nos voltar a Ele apesar de nossos pecados, e que, portanto não devamos nos ver como absolutamente limitados pelas conseqüências que o Decreto e Destino Divinos estabelecem para nossos atos. Isso é explicado nos seguintes versos:

E todo o infortúnio que vos aflige é por causa do que cometeram as vossas mãos, muito embora Ele perdoe muitas coisas. (42:30)

Se Allah castigasse os humanos por sua iniqüidade, não deixaria criatura alguma sobre a terra; porém, tolera-os até o término prefixado. (16:61)

Dize: Ó servos meus, que se excederam contra si próprios, não desespereis da misericórdia de Allah; certamente, Ele perdoa todos os pecados, porque Ele é o Indulgente, o Misericordioso. (39:53)

Graça Divina ou liberalidade manifesta a si mesma mais claramente na história humana. Porque somos responsáveis e prestamos conta pelos nossos atos, nós direcionamos nossa própria história. Tais filosofias históricas como o historicismo estão bastante enganadas, pois não há nenhuma determinação na história ou eventos históricos.

Muitos povos históricos, tais como aqueles de ‘Ad, Thamud, e do Faraó, mereceram perecer por causa de seu estilo de vida dissoluto, injustiça e atrocidades. E, portanto Deus os erradicou. No entanto, o povo do Profeta Jonas, que a paz esteja com ele, se voltaram para Deus com a máxima sinceridade e profundo arrependimento, e se reformaram moralmente depois de verem sinais da destruição iminente. Como um resultado, Deus liberou-os do castigo da desonra na vida terrena, e os agraciou temporariamente (10:98). Enfatizando esse ponto, o Mensageiro de Deus, que a paz e bênçãos estejam sobre ele, disse: “O medo não previne infortúnios, mas oração e caridade os previnem”.[1]

Portanto, os crentes nunca devem cessar de rezar e fazer caridade. Quando sentem o infortúnio vindo, devem imediatamente se voltar para Deus em oração, se arrepender, fazer caridade ou desempenhar algum serviço para o Islam.

[1] Muttaqi al-Hindi, Kanz al-'Ummal, Hadith No. 3123; Ibn 'Asakir, Tarikh al-Dimashq, 5:168.

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