5 de nov. de 2021

PERGUNTA: Por que uma insignificante coisa como o livre arbítrio causa a alguém merecer a eternidade no Paraíso ou no Inferno?

RESPOSTA: Quando comparamos os atos e a criação de Allah com a nossa própria função na existência, vemos que o papel do livre arbítrio humano é realmente insignificante. Como resultado disso, alguns o negam. Seguidores da senda do meio nesse assunto concluíram que o livre arbítrio é uma inclinação, ou algo como inclinação, ou mais uma preferência para as nossas internas inclinações, e então age sobre aquela inclinação. É geralmente parecido como acendermos um interruptor para iluminarmos uma casa ou uma cidade.

​Antes de perguntarmos por que Allah, Todo-Poderoso, deve condenar-nos ao Fogo eterno se mau usamos o nosso livre arbítrio durante o curto tempo de nossa vida, devemos pensar sobre se realmente podemos merecer a eternidade do Paraíso com o usar o nosso livre arbítrio corretamente. Não deveríamos considerar se agradecemos a Allah o suficiente pelas Suas mercês com que Ele nos cumulou? Se nós O adoramos durante toda a nossa vida, sem cessar, não O agradeceríamos o suficiente apenas pelos nossos olhos.

Como foi citado antes, uma romã ou cereja tem o mesmo custo do universo, pois o seu crescimento ou produção requer a cooperação do ar, da água, do solo e do sol, sem um dos quais não se pode produzir. Além disso, Allah nos pede assinalar apenas uma pequena quantidade de tempo para adorá-Lo. Nós no máximo necessitamos uma hora para cumprirmos as cinco orações diárias prescritas. A quantidade de riqueza que estamos desfrutando para dar em caridade é, na maioria dos casos, apenas um quinto do que temos. Devemos cumprir a peregrinação (hajj) apenas uma vez (na vida), e somente se podemos fazê-lo. O resto da nossa vida e riqueza é para as coisas mundanas. A despeito disso, Allah, o Misericordioso, nos promete o Paraíso eterno, as bênçãos e as graças que estão além da imaginação. Antes de tudo, devemos pensar sobre as infinitas mercês de Allah, que nos cercam e nos convidam para o Paraíso.

Agora vamos responder à pergunta.

Intenção

A nossa intenção é crítica. O Mensageiro (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “As obras são determinadas pelas intenções. Assim, cada pessoa alcançará o que busca, de acordo com suas intenções. Desse modo, aquele cuja emigração acontecer pela causa de Allah e do Seu Mensageiro, essa emigração será considerada como sendo pela causa de Allah e do Seu Mensageiro. Porém, aquele que emigrar em busca de algum benefício material, ou para desposar uma mulher, sem dúvida a sua emigração será para aquilo para o quê emigrou.”27

A intenção é o espírito das nossas ações e determinam como seremos recompensados (ou punidos). Se você não come ou bebe durante o dia, mas não fez a intenção de jejuar, não será contado que tenha jejuado. Se você jejua sem intencionar obter o contentamento de Allah, você não recebe recompensa. Se você for morto na luta para exaltar e engrandecer a Palavra de Allah, você morre como mártir e vai, com a anuência de Allah, para o Paraíso. Se você for morto na luta por outra causa, como a fama ou a riqueza, você não é considerado mártir e provavelmente não será admitido no Paraíso. Portanto, você é recompensado (ou punido) de acordo com sua intenção.

Se você tiver uma crença firme em Allah e os pilares da fé, e tenciona crer neles (como se fosse viver eternamente), você será recompensado com felicidade eterna no Paraíso. Se você removeu a sua tendência inata de crer, e assim intenciona não crer mesmo se fosse viver eternamente, você provocará a sua punição eterna. Em caso de pessoas cuja descrença é profundamente arraigada e perderam a capacidade de crer, o Alcorão diz:

“Quanto aos incrédulos, tanto se lhes dá que os admoestes ou não os admoestes; não crerão. Allah selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo.” (2:6-7). 27 Sahih al Bukhári, Badul wahy, 1; Sahih Musslim, “Imára”, 155.

A Punição Pela Descrença

A aplicação da punição é determinada pela natureza e resultado do crime a da intenção da pessoa, não pela duração do ato.

O assassinato, que leva apenas alguns minutos ou mesmo segundos para se cometer, é sempre punido por muitos anos na prisão ou por uma sentença de morte. A descrença é infinitamente mais séria de que o assassinato. Se você acusa pessoas honestas e inocentes de mentira e fraude, elas ficarão muito zangadas com você. A descrença também significa o seguinte:

• Negar o testemunho verdadeiro de inumeráveis criaturas, desde átomos até enormes galáxias, à existência e Unidade de seu Criador, e acusando-os de mentira ou de falso testemunho.

• Negar a Allah, o Único Criador, Sustentador e Administrador da existência, e degradando Seus inumeráveis trabalhos de arte.

• Acusando mais de 100 mil profetas de mais baixa forma de mentira, fraude e trapaça, e fazendo isso a despeito do fato de que de acordo com o testemunho da história e o povo a quem foram enviados, são os mais honestos de toda a humanidade.

• Acusando os crentes de seguirem os maiores mentirosos da história da humanidade Esse ponto de vista também insulta inumeráveis crentes uma vez que o tempo de Adão e os acusam de fraude e desvio.

Por essa e outras razões similares, é pura injustiça condenar os incrédulos à eterna punição do Inferno.
Por mais insignificante que o nosso livre arbítrio possa parecer, e por mais delicado o pecado de descrença possa parecer à primeira vista, a descrença é negação e, portanto, destrutiva. Lembre-se que nós comparamos o livre arbítrio com o ligar um interruptor para iluminar um compartimento. Desligar um interruptor pode envolver uma cidade inteira pela escuridão. Um palito de fósforos pode destruir um enorme e magnífico palácio em alguns minutos, mesmo que centenas de trabalhadores levem vários anos para construí lo. Lembre-se que um único tiro disparado por um sérvio acendeu a Segunda Guerra Mundial e levou à maciça matança e destruição.

Também, suponha que há um jardim contendo todas as espécies de flores e árvores em que pássaros cantam e animais vivem. Essas plantas e animais precisam de água, que chega a eles através de canais para sobreviverem. Alguém é responsável pela abertura dos canais para que a água flua através deles. Se essa pessoa, por um motivo qualquer, não deixar a água fluir e assim matar tudo no jardim, que punição seria apropriada? O ato de descrença é equivalente a um ato assim, mas na escala da criação como um todo.

A descrença é uma ingratidão imperdoável. Como você pode negar a Quem o trouxe à existência da não existência, deu-te tantas faculdades (isto é, razão, intelecto, coração, memória, visão, sentidos internos e externos), e o nutriu com numerosas variedades de alimento e bebidas? Tais pessoas preparam seu próprio destino, e sua punição deve ser igual à sua ação (de negar).

Mesmo que trabalhemos todos juntos, não conseguimos criar uma só fruta, uma só folha ou uma folha de grama. Negar a existência do Um Que pode fazer tudo isso, e Que criou esse enorme universo e nos deu o domínio sobre ele, é o pior pecado que podemos cometer, e assim merecermos a mais dourada e severa punição.

Satã tenta nos desviar convidando-nos à descrença e à intemperança. O nosso comando do mal foi dado a nós de tal forma que possamos nos elevar aos mais elevados níveis aperfeiçoando-o. A nossa consciência sente inatamente a existência de Allah, o Criador e Sustentador dos seres, e sentimentos que permanecem eternamente podem ser satisfeitos somente com a eternidade. Os seguidores de Satã, os descrentes que são controlados pelos seus desejos e seu comando do mal, fecham sua consciência a inumeráveis sinais de Allah neles mesmos e no universo, extinguem seus sentimentos relacionados para a eternidade, e fecham os olhos aos mais manifestos sinais do Criador: o Alcorão, o Profeta Muhammad (sallallahu alaihi wa sallam) e todos os outros profetas, paz e graça estejam com eles.

A Punição Varia

A punição por violar de uma confiança é proporcional ao seu significado e seu verdadeiro dono. Uma criança que quebra uma janela não recebe a mesma punição como um ajudante de ordens perde ou quebra a coroa do rei. Se um soldado raso e um comandante gastam o dinheiro que receberam (baseados em sua patente) em coisas insignificantes e assim o perdem, o comandante certamente receberá uma punição bem maior de que o soldado raso. Se um cientista, responsável por investigações científicas, gasta os recursos confiados a ele em estudar coisas insignificantes, certamente ele seria punido bem mais severamente de que um pastor que gasta os recursos confinados a ele em prover as suas próprias necessidades em vez das de seus animais. Os animais não utilizaram mal ou perderam o capital da vida destinado a eles. Eles fazem o que podem: alguns levam cargas, alguns dão leite e carne, outros produzem mel ou seda para o nosso uso. Somente nós podemos gastar nossos recursos de acordo com os nossos próprios desejos. Dados esses fatos, bem como as mercês mencionadas antes que Allah nos concedeu devido ao nosso status como Seus legatários na Terra, o nosso mau uso desses recursos resulta numa severa punição. Se permitirmos sermos dominados pelo nosso comando do mal em vez do nosso coração (que deve fluir com conhecimento e amor do Criador) estaremos destinados a ser combustível para o fogo do Inferno.