• Conhecer o Islam

Conhecimento e os Atributos de Deus


A Existência de Deus é tão evidente que não é necessário nenhum argumento para demonstrá-la. Alguns eruditos têm estabelecido que a existência de Deus é muito mais patente que a de todos os seres restantes, mas os que se encontram privados de perspicácia não o podem visualizar. Outros têm dito que Ele não se pode perceber diretamente pela intensidade de Sua auto manifestação.

Conhecimento de Deus

Deus Todo-Poderoso deve ser considerado a partir das seguintes perspectivas:

1. Sua ‘Essência’ como ser Divino (Zat), a qual somente Ele pode saber. O mensageiro de Deus diz: “Não reflexionai sobre a Essência de Deus, senão reflexionai sobre ‘Sua criação’ (Abu Nuaym al Awliya, 6:67). Deus não tem companheiros, parecidos ou semelhantes, como indicado em:

"Não há nada como Ele." (42:11).

2. Suas Qualidades Essenciais ou “Inatas”, sendo Deus, que são a fonte dos Atributos.

3. Seus atributos, os quais são de três tipos:

a. Os Atributos Essenciais (a Existência, ser eterno sem princípio, a Permanência Eterna, ser diferente ao criado, a autossubsistência, a Unidade absoluta, a Singularidade);

b. Os Atributos Positivos (A Vida, o Conhecimento, o Poder, o Discurso, a Vontade, Ouvir, Ver, Criar);

c. Os Atributos “Negativos”, os quais são inumeráveis, mas podem ser resumidos em ‘Deus está totalmente livre de qualquer defeito’.

Os Atributos são as fontes dos Nomes: a Vida dá lugar a todo ser Vivente, o Conhecimento dá lugar ao Onisciente, e o Poder ao Todo-Poderoso. Os Nomes são a fonte dos atos: dar a vida tem sua origem em Todo o Vivente, e o saber de tudo – até a coisa mais insignificante provém do Onisciente. Deus é ‘conhecido’ por Seus atos, Nomes e Atributos. Tudo aquilo que existe no Universo, seja no mundo material seja no imaterial, é o resultado das manifestações dos Nomes ou os Atributos: As necessidades universais e individuais apontam para o nome do Todo-Provedor, e o Todo-Sarador é a fonte dos remédios e a recuperação do paciente. A filosofia tem sua fonte na Sabedoria etc. Os atos, Nomes, Atributos são ‘os eslabões’ entre Deus e o criado ou os ‘refletores’ com os quais adquirimos o conhecimento de Deus.

Mesmo que tratemos de conhecer ou reconhecer a Deus por Seus Atos, Nomes e Atributos, não devemos de pensar n’Ele em termos de uma semelhança que se lhe possa associar ou em uma comparação com Ele, já que nada se parece com Ele. Deus é absolutamente único, Sem Par e totalmente diferente de tudo o que existe ou tem o potencial para existir. Neste sentido, Sua Unicidade não se ajusta em termos numéricos. Também possui a referida Unidade e relações com o que foi criado. Para ter um pouco de conhecimento sobre Ele através de Seus atos, Nomes e Atributos, algumas comparações são permissíveis.

İsso está anotado em:

"Para Deus é a comparação mais alta." (16:60).

Alguns dos Nomes de Deus

Para fazer-se conhecido, Deus Todo-poderoso menciona a si próprio com alguns Nomes ou Títulos, muitos dos quais são como os que vemos a continuação:

● Al-Rahman: O Todo-Misericordioso (Aquele que tem compaixão por toda Sua criação e proporciona para eles seu sustento).

● Al-Rahim: O Todo-Compassivo (especialmente com Seus servos crentes).

● Al-Fard: Aquele que é absolutamente İndependente.

● Al-Ahad: O Único, Sem Par.

● Al-Hayy: O que sempre vive (Aquele que não tem começo nem final, aquele que vive e não morre).

● Al-Qayyum: O auto Subsistente (Aquele que cuida e mantém a Sua criação).

● Al-Adl: O Justo.

● Al-Samad: O auto Suficiente (Aquele que não precisa de ninguém e ao que todos necessitam).

● Al-Quddus: O Todo-Sagrado (e aquele que mantém o universo puro).

● Al-Haqq: A Verdade (Aquele que sempre diz, difunde e ordena a verdade e a estabelece; e em cujos decretos e atos não há nada falso, sem sentido ou inútil)

● Al-Hakim: O Sábio (que tem absoluta sabedoria em todos Seus decretos e atos).

● Al-Alim: Quem sabe de tudo (Aquele que conhece tudo o que está oculto para nós e tudo o que nós sabemos).

● Al-Sami: Quem ouve tudo.

● Al-Basir: Quem vê tudo (Aquele que é testemunha de todas as coisas e acontecimentos)

● Al-Qadir: O Poderoso (Aquele que tem absoluto poder em cima de todas as coisas).

● Al-Razzaq: O Sustentador.

● Al-Azim: O Todo-poderoso.

● Al-Kabir: O Grandioso.

● Al-Khaliq: O Criador.

● Al-Mawla: O Guardião (Aquele que possui, guarda e apoia a Suas criaturas, e aquele que proporciona a vitória e proteção àqueles que fazem o que Ele mandou e evitam o que Ele proibiu)

● Al-Aliy: O Elevado (Aquele que se encontra por cima de todo mundo pelo seu poder e status).

● Al-Aziz: O triunfador com o (seu) poder irresistível.

● Al-Afuw: Aquele que perdoa os pecados e as faltas de Seus servos.

● Al-Hafiz: Aquele que protege.

● Al-Halim: O Clemente (Aquele que é tolerante, afável e terno. E é paciente e não se apressa em castigar a Seus servos por seus pecados.

● Al-Ghafur: Aquele que perdoa os pecados e os erros de Seus servos.

● Al-Karim: O Generoso (Aquele que é nobre, generoso e gentil)

● Al-Wadud: Aquele que tudo o ama.

● Al-Wahhab: Aquele que concede misericórdia e êxito a Sua criação.

● Al-Nasir: Aquele que ajuda (O que concede a vitória a Seus servos crentes);

● Al-Rauf: O Compassivo.

● Al-Shakur: Aquele que recompensa a Seus servos por suas boas ações muito mais do que eles merecem.

● Al-Tawwab: Aquele que permite a Seus Servos voltar a Ele em estado de arrependimento, aceitando seu sincero arrependimento.

Tawhid (A Unidade de Deus)

Em primeiro lugar, o ensinamento mais importante e fundamental do Profeta Mohammad é a crença na Unidade de Deus. Isto se expressa na palavra crucial –Kalima− do İslã do seguinte modo: “Não há nenhuma deidade além de Deus”. (La ilaha illa’llah). Esta frase é a base do İslã, seu fundamento e sua essência.

Todas as religiões reveladas aos Profetas têm a mesma essência. Porém, com o tempo, a mensagem original foi mal interpretada, misturou-se com a superstição, e degenerou em práticas mágicas e rituais sem sentido. A concepção de Deus, o núcleo fundamental da religião, foi degradada pelo antropomorfismo, deificando aos anjos, associando outros com Deus e considerando os Profetas ou as pessoas piedosas.

O Profeta Mohammad desprezou tais tendências teológicas e restaurou a concepção de Deus como o único Criador, Sustentador e o Mestre de toda a criação a sua pristina pureza.

Deste modo, como disse John Davenport:

"Entre muitas das Excelências das que o Alcorão justamente se orgulha encontramos duas chamativas: aquela excelsitude que é o tom de sobressalto e reverência observado sempre que se fala a respeito de, ou se refere à Deidade, À Qual nunca se lhe atribui fraquezas humanas e paixões; a outra concernente à ausência total em todo o Alcorão de ideias contaminadas, imorais e indecentes, bem como expressões, narrações imperfeitas e defeituosas." (John Davenport, Uma Apologia de Mohammad e o Alcorão, Londres, 1869)

Tawhid é a concepção mais elevada do Altíssimo, o conhecimento que Deus enviou à humanidade ao longo da história por meio de Seus Profetas. Esta era a sabedoria com a que Adão foi enviado à Terra; o mesmo conhecimento que Deus revelou a Noé, Abraão, Moises e que Mohammad trouxe à humanidade. É um saber puro e absoluto, sem a mínima mancha de ignorância. Dissipa todas as nuvens da ignorância e ilumina o horizonte com a luz da realidade.

Mas quem pode criar e controlar este universo majestoso? Somente Ele pode fazê-lo, Aquele que é o Mestre de tudo; Quem é İnfinito e eterno; Quem é Todo-poderoso, Sábio, Onipotente e Onisciente; Quem sabe e vê tudo. Ele deve ter autoridade suprema sobre tudo aquilo que existe no Universo. Deve de possuir ilimitados poderes, deve de ser o Senhor do Universo e de tudo o que neste está contido, deve de estar livre de cada defeito e debilidade, e nenhum de nós pode ter o poder de interferir em Seu trabalho. Somente um Ser assim natureza pode ser o Criador, o Regulador e o Governante do universo.

Ademais é essencial que todos estes Atributos Divinos e poderes devam ser conferidos a um Ser. É impossível para duas ou mais personalidades ter os mesmos poderes e atributos para coexistir, já que mais cedo ou mais tarde poderiam teriam um confronto. Portanto, deve haver um único Ser Supremo que possua o controle acima de todos os demais. Não se pode pensar em dois governadores para uma mesma província ou em dois comandantes supremos para um exército!

Do mesmo modo, a distribuição destes poderes entre deidades diferentes, de modo que, por exemplo, um deles seja onisciente, o outro sustentador e inclusive o outro dador de vida, e que cada um tenha também uma esfera independente é impensável. O Universo é um todo indivisível, e cada uma destas deidades seria dependente das demais na realização de sua tarefa. Uma falta de coordenação tarde ou cedo ocorreria. E se acontecesse isso, a Terra viraria pedaços. Estes atributos são também intransferíveis. Não é possível que certo atributo pudesse estar presente em certa deidade num momento dado e em outro momento possa ser encontrado em outra deidade. Um ser divino que é incapaz de permanecer vivo por si mesmo não pode dar a vida aos demais. O que não pode proteger seu próprio poder divino, não pode ser o apropriado para governar o vasto Universo ilimitado.

O Sentido de Kalima Al-Tawhid

Em árabe, ilah significa “aquele que é venerado”, em outras palavras, um ser que devido a sua grandeza e poder é considerado digno de devoção sendo tratado com a maior das deferências ao inclinar-nos ante Ele em humildade e submissão. O conceito ilah também inclui a posse do poder infinito, expressando o sentido (em) que os demais são dependentes deste poder, mas, ao mesmo tempo, este não é dependente de ninguém. A palavra ilah também possui um sentido de ocultação e mistério. A palavra persa khuda, tal como as palavras deva no hindi e God em inglês, tem conotações similares. Outras línguas também contêm palavras com um sentido similar.

Por outra parte, a palavra Allah, que tendemos a traduzir como Deus (em português), significa essencialmente o nome pessoal de Deus. A ilaha illa’llah literalmente equivale a: “Não há outro ilah que Um Grande Ser conhecido com o nome de Allah (Deus)”. Isto quer dizer que o Universo não contém a nenhum outro ser mais digno de alabança que Deus; ante Ele somente devemos inclinar-nos em submissão e adoração, já que Ele é o único Ser que possui todo o poder, já que necessitamos do Seu favor, e pelo fato de todos estarmos obrigados a buscar Sua ajuda. Ele se oculta a nossos sentidos, e nossa inteligência não é capaz de perceber que é Ele.

Um único Deus verdadeiro é uma reflexão do conceito de unicidade de Deus do İslã. Para um muçulmano, Deus é o Onipotente, o Criador e o Sustentador do universo; não é similar a nada e nada se pode comparar a Ele. Quando os contemporâneos do Profeta lhe perguntaram sobre Deus, Ele lhes revelou a Surat al-Ikhlas, que é considerada a essência da unidade e o lema do monoteísmo, como o seguinte reflete:

"Em nome de Deus, o Misericordioso, o Compassivo. Dize (Ô Mohammad!): Ele é Deus, Único, Sem Par. Deus é Auto suficiente (Quem não precisa de ninguém e de Quem todos os demais precisam). Ele não tem engendrado, nem foi engendrado, e não há ninguém que se Lhe pareça." (112:1-4).

O Criador deve ser de uma natureza diferente às coisas criadas, porque se Ele for da mesma natureza que estas, seria temporal e, portanto, necessitaria de um criador. Como resultado, nada se parece a Ele. Se o Criador não é temporal, Ele deve ser eterno. Mas se é eterno, não pode ser originado. Se nada além d’Ele faz que Ele siga existindo, Ele deve ser Auto suficiente e Auto Sustentador. E se Ele não depende de nada para a continuação de Sua própria Existência, esta Existência não pode ter nenhum final. Por isso o Criador é eterno: “Ele é o Primeiro e o Último”.

Ele é Auto suficiente e Auto Mantenedor, ou, empregando um termo corânico, Ele é as-Samad e al-Qayyum. O Criador não cria somente no sentido de fazer que entidades e coisas passem à existência, já que também as mantém, as retira da existência e é a última causa do que lhes ocorre. De Ali ibn Abi Talib (o genro do Profeta e o quarto califa) dizem que teria dito:

"Ele é Ser, mas não através do fenômeno devenir à existência. Ele existe, mas não da inexistência. Ele está com tudo, mas não por proximidade física. Ele é diferente a tudo, mas não pela separação física. Ele atua, mas sem o acompanhamento de movimentos e instrumentos. Ele é Um, único em seu gênero, Sem Par e não há ninguém com o qual Ele ande em companhia ou do qual sinta falta por sua ausência."

O Islam descarta caracterizar a Deus com qualquer forma humana ou descrevê-lo como favorecedor de certos indivíduos ou nações baseando-se em sua riqueza, poder ou etnia. Ele criou a todos os seres humanos iguais. Eles podem se distinguir e obter Seu favor só através da virtude e a piedade.

Literalmente, tawhid significa ‘a unificação (alguém fazer algo)’ ou ‘afirmação da unidade’. O qual procede do verbo árabe wahhada (unir, unificar ou consolidar). Contudo, quando é usado com relação a Deus, significa a realização e a conservação da Unidade de Deus em todas nossas ações que estão diretas ou indiretamente relacionadas com Ele. Esta é a crença de que Deus é Único, sem companheiro em Seu domínio e Suas ações, sem semelhança em Sua Essência e Atributos, e sem rival em Sua Divindade e na devoção. Estas três categorias são comumente chamadas pelos seguintes títulos: Tawhid ar-Rububiya −”O Mantimento da Unidade de seu Senhorio” −, Tawhid al-Asma wal-Sifat −”O Mantimento da Unidade dos Nomes e Atributos de Deus”−, e Tawhid al-Ibada −”O Mantimento da Unidade na Devoção a Deus−.

Tawhid al-Rububiya está baseado no conceito fundamental segundo o qual tão só Deus originou todas as coisas para que existissem quando não havia nada. Ele sustém e mantém a criação sem necessidade nenhuma de que esta participe, e Ele é o único Senhor do Universo e de seus habitantes sem que ninguém nem nada desafie Sua soberania. Em árabe, a palavra que costuma descrever esta qualidade é Rububiya, que procede da raiz Rabb (Senhor). Segundo esta categoria, como Deus é o único poder verdadeiro na existência, é Ele Quem deu a todas as coisas o poder de se moverem e mudarem. Nada ocorre na criação a exceção do que Ele permite que ocorra. Em reconhecimento a esta realidade, o Profeta Mohammad normalmente repetia a frase que exclamava La hawla wa la quwwata illa bi’llah (não há nenhuma força nem nenhum poder, salvo Deus).

Tawhid al-Asma wal-Sifat possui quatro aspectos. Para manter a unidade dos Nomes e os Atributos de Deus no primeiro aspecto, haverá de se fazer referência a Deus como Ele e Seu Profeta O descreveram e chamaram. O segundo aspecto implica a referência a Deus do mesmo modo que Ele mesmo se referiu a Sua pessoa, sem outorgar-lhe nome nenhum ou novo atributo. No terceiro aspecto, a Deus se alude sem dar-lhe os atributos de Sua criação.

Por exemplo, d’Ele não se pode dizer que descansa ou dorme, já que isto seria atribuir-lhe os atributos que pertencem a Sua criação. Tampouco Ele pode ser retratado como ‘arrependido’ por Seus “maus pensamentos”, porque isto é o que a gente faz depois de cometer erros. As faculdades de ouvir e ver estão entre os atributos humanos, mas estão fora de toda comparação em sua perfeição quando são atribuídos ao Ser Divino. Em outras palavras, Deus não necessita olhos nem ouvidos para possuir estes atributos. O quarto aspecto requer que a nenhuma pessoa lhe possam ser subministrados os atributos de Deus em sua perfeição.

Apesar das profundas implicações das duas primeiras categorias, a só crença nelas com firmeza não é suficiente para cumprir as exigências İslâmicas de tawhid. Tawhid al-Rububiya e Tawhid al-Asma wal-Sifat devem ser acompanhados por seu complemento, Tawhid al-Ibada, para que tawhid se considere completo segundo o İslã. İsto requer que todas as formas de devoção devam ser dirigidas somente a Deus, porque só Ele a merece e pode conceder benefícios aos seres criados como resultado de Sua adoração. Ademais, não há nenhuma necessidade de intermediários entre os seres humanos e Deus. Ele enfatizou a importância de dirigir-lhe a adoração tão só a Ele] indicando que este era o objetivo principal de criar aos gênios e humanos e à essência da Mensagem trazida por todos os Profetas.

Por conseguinte, o pecado mais grave é shirk (a adoração a outros em lugar de venerar a Deus). Na Sura al-Fatiha, que cada muçulmano recita em suas orações diárias pelo menos 17 vezes, o quarto verso diz: Só a Ti te adoramos, e só em Ti procuramos ajuda, uma declaração aberta de que todas as formas de adoração deveriam ser dirigidas só ao Único que pode respondê-las: Deus.

O estudo de tawhid não pode ser considerado completo sem uma análise detalhada de seu opositor: shirk. Shirk literalmente significa associação, compartir, agregar. Porém, em termos islâmicos, refere-se à concessão de companheiros a Deus do modo que for melhor.

Associar a Deus outras deidades (Shirk): Tipos e classes

Uma pessoa pode associar companheiros a Deus em Sua Rububiya, Asma wal-Sifat e Ibada.

Shirk en al-Rububiya: Esta classe de shirk refere-se à crença de que os outros compartem o Senhorio de Deus sobre a criação como Seus iguais ou quase iguais, ou inclusive que ali não existe, de jeito nenhum, um único Senhor sobre toda a criação. No primeiro caso, shirk por associação, significa que um conceito de Deus ou um Ser Supremo sobre a criação é reconhecido; e, todavia, Seu domínio é compartido por deidades menores, espíritos, mortais, corpos celestes ou objetos terrenais. Segundo o İslã, todos estes sistemas são politeístas. No segundo caso, shirk por negação, várias filosofias e ideologias equivalem quase a afirmar uma negação explícita ou implícita da Existência de Deus. Por exemplo, o panteísmo e o monismo são desta categoria.

Shirk em al-Asma wal-Sifat: İsto inclui tanto a prática comum pagã de conceder a Deus os atributos de Sua criação como o ato de outorgar aos seres criados os Nomes de Deus e os Atributos em seu absoluto significado particular para com Deus. No primeiro caso, shirk por humanização, conferem-lhe a Deus a forma e as qualidades dos seres humanos e os animais. Devido à superioridade da espécie humana por cima dos animais, a forma humana é a mais comum utilizada pelos idólatras para representar a Deus na criação. Por isso a imagem do Criador é normalmente pintada, moldada ou esculpida em forma de seres humanos que possuem as feições físicas daqueles que os adoram. No segundo caso, shirk por deificação, os seres criados ou as coisas são dados ou reclamam os Nomes de Deus ou Seus Atributos no seu absoluto que significa particular a Deus.

Shirk em al-Ibada: Que significa dirigir os atos de devoção a alguém que não é Deus e procurar a recompensa pela adoração à criação em vez do Criador. Esta categoria também tem dois aspectos principais:

Al-shirk al-akbar (shirk maior). İsto ocorre quando qualquer ato de adoração é dirigido para algo que não é Deus. İsto representa a forma mais óbvia da idolatria, pela qual Deus enviou a todos os Profetas chamarem a humanidade para que a abandonassem. Este conceito é apoiado por:

"Sem dúvida temos enviado um mensageiro a cada comunidade: ‘Adorai a Deus e apartai vós dos Taghut (falsas divindades)’. " (16:36).

Taghut na realidade significa qualquer coisa que exige adoração e é adorado no lugar de Deus. E se faz muita questão de advertir sobre tal mal, já que contradiz o mesmo objetivo da criação como é expresso na declaração de Deus:

"E não tenho criado os gênios e os homens senão para me adorarem." (51:56)

O Shirk maior representa o maior ato de rebelião contra o Senhor do Universo, assim que é o pecado mais grave que anula praticamente todas as boas ações de uma pessoa e faz definitiva sua condenação eterna ao İnferno. Pelo tal motivo, a falsa religião está baseada principalmente neste tipo de shirk. Todos os sistemas feitos pelos humanos de uma ou outra maneira convidam seus seguidores a adorarem à criação.

Al-shirk al-asghar (shirk menor). O Mensageiro de Deus disse: ‘O que mais temo por vós é al-shirk al-asghar’. Os companheiros perguntaram: ‘O Mensageiro de Deus, que é shirk menor?’. Ele respondeu: ‘Alardear, vangloriar-se (al-riya)’, já que Deus dirá no Dia da Ressurreição quando a gente estará recebendo sua recompensa: “Marchai com aqueles ante os quais vos vangloriáveis e alardeáveis no mundo material e vede se podeis encontrar a alguma recompensa procedente deles”. Também declarou: “Ô gente! Tende cuidado com o shirk secreto”. As pessoas perguntaram: ‘Ô Mensageiro de Deus! O que é shirk secreto?’ Ele respondeu: “Quando uma pessoa faz oração e se esforça por realçar sua reza porque a gente o vê, isto é, shirk secreto”. (al-Daylami, al-Firdaws, 2:376).

Amor Divino como a Razão detrás da Existência

Há uma relação inseparável entre Deus, a natureza e a humanidade. A natureza e a humanidade são dois ‘livros’ escritos com um material diferente, mas contendo o mesmo sentido. A razão que se oculta atrás da sua existência é o Amor Divino.

İmaginemos uma pessoa amável, compassiva e generosa que deseja dar de comer à gente muito pobre, faminta e indigente. Prepara um banquete em seu magnífico barco e os observa de cima enquanto eles comem. Podemos supor quanto será o agradecimento e a felicidade que podem expressar estas pessoas só agradecendo e louvando esse indivíduo nobre e generoso, pelo que se encontra contente e cheio de jubilo.

Do mesmo modo, o Misericordioso e Compassivo tem estendido uma enorme mesa e cheia de pratos na Terra e faz que a Terra se dirija ao espaço com todos seus habitantes. Alimenta-os com a comida que está sobre a mesa e convida a aqueles, entre os Seus criados, que infinitamente têm fome e são indigentes aos jardins eternos do Paraíso. Ele prepara cada jardim como se fosse uma mesa magnífica apresentada com todo tipo de alimentos e bebidas, os quais se convertem em puro e saboroso prazer.

Considerai o prazer e a felicidade que a pessoa mencionada anteriormente sente ao ver o gozo de seus convidados, mesmo que ele não seja o verdadeiro dono do que ele oferece, e logo depois ser comparado com o amor indescritível sagrado e com o prazer sentido por O Misericordioso.

Considerai outro exemplo. Se um hábil técnico inventa algo que funciona como este deseja, fica contente e diz: ‘Que maravilhas tem disposto Deus’. O fabricante Majestoso inventou o enorme Universo. Criou a Terra (em seu conjunto) e cada criatura contida nela (em particular), realizando um trabalho magistral no desenho de nossa cabeça e cérebro, de tal modo que a ciência se rende com admiração diante de tal perfeição. Cada criatura mostra os resultados esperados em sumo grau e de um modo muito belo. Sua obediência às leis de Deus que regem a criação e a operação do universo, que compreendem sua adoração, glorificação e louvação específicas e exaltação para Ele, bem como a obtenção de objetivos Divinos para suas vidas comprazem a Deus até um ponto superior ao da nossa compreensão.

Também, como exemplo, um juiz justo recebe o grande prazer de promulgar e estabelecer justiça, e fica extremamente contente quando pode restaurar os direitos do oprimido contra o opressor. Compara ele com os sentidos sagrados que provêm da suprema realidade, (...) que o Soberano Absolutamente Justo oferece a todas as criaturas o direito de existir. Dá-lhes aos seres animados o direito à vida, protege e mantém sua existência e suas vidas contra a agressão, restaura todos os direitos no Universo e julgara à humanidade e aos gênios no Além, estabelecendo a justiça absoluta.

Como nos exemplos anteriormente citados, cada Nome Divino contém muitas variedades de graça, beleza e perfeição, bem como numerosos níveis de amor, orgulho, honra e grandeza. İsto é assim porque alguns eruditos exigentes, que manifestam o Nome Divino de Amantíssimo, definiram que: “A essência do Universo é o amor. Todas as criaturas se movimentam motivadas pelo amor”. Todas as leis de atração, embelezamento e gravidade surgem do amor. Um deles até diz:

Com o amor as esferas são embriagadas,

Os anjos são embriagados e assim as estrelas também o são.

O Céu, o Sol, a Lua

E a Terra estão embriagados.

Embriagados estão os elementos e as plantas

e as arvores e os seres humanos.

Todos os seres animados se embriagam,

Também estão todos os átomos da criação

Cada criatura esta embriagada, segundo sua capacidade, pelo ‘vinho’ do Amor Divino. As pessoas amam àqueles que são amáveis com eles, assim como a verdadeira perfeição e a beleza superior. Também amam àqueles que são amáveis com os que eles amam e para aqueles que têm compaixão. Considerando isso então, podemos entender que o Majestoso e Belo, o mais Amado da Perfeição, no Qual cada um de Seus Nomes é um tesouro inumerável da bondade; Quem faz feliz a todos os que amamos com Seus favores e é a fonte de perfeições e níveis de beleza e graça inumeráveis, torna-se digna de amor infinito e de embriaguez da criação com seu Amor. Esta é a razão pela qual alguns que manifestaram o Nome Divino de Amantíssimo afirmaram: “Não queremos nem o Paraiso. Uma cintilação do Amor Divino é eternamente suficiente para nós”, e pela qual o Profeta Mohammad disse: ‘Um só minuto empregado na contemplação da Beleza Divina no Paraiso supera todas as generosidades do Paraiso’.

Deste modo, o amor perfeito e todas as perfeições atingidas através dos amos são possíveis dentro das esferas ou âmbitos das manifestações universais dos Nomes Divinos sobre os seres como um todo (A Unidade) e as esferas de suas manifestações particulares sobre os indivíduos (a Unidade ou a Unicidade). Qualquer perfeição imaginada fora daquelas esferas é falsa.

A Razão trás os Acontecimentos no Universo

Se alguém for realizar com entusiasmo um dever natural ou social, um observador pode deduzir dois motivos para fazer o mesmo: a causa última (o que pode ser obtido ao fazê-lo assim) e o motivo ou causa necessária (de alguém ansioso por realizar tal obrigação e o prazer subsequente em fazê-lo). Por exemplo, a comida quando estamos com fome dá um pouco de satisfação [a causa necessária], enquanto o que se ingere alimenta o corpo humano [a causa última].

Do mesmo modo, a existência do Universo e sua atividade incessante, assombrosa é originada por duas classes de Nomes Divinos e para dois amplos propósitos ou resultados. O primeiro propósito e a causa é que os Formosos Nomes de Deus se manifestam assim mesmo em inumeráveis formas e classes. Isto produz a multiplicidade na criação. E além do mais, os Nomes Divinos se manifestam sem cessar e procuram mostrar continuamente seus trabalhos. İsto provoca que o Livro do Universo, com todas suas ‘orações, palavras e cartas’ seja renovado constantemente. Cada parte deste Livro que é a manifestação dos Nomes Divinos, é um signo ou uma indicação da Essência Sagrada Divina de maneira que as criaturas conscientes possam conhecê-lo.

A segunda causa ou objeto é que cada criatura é ativa porque almeja e encontra o prazer na atividade. Esta atividade é prazerosa por ela própria. Do mesmo modo temos a Deus, o Ser Necessariamente Existente, em conformidade com Sua independência essencial de criação e com sua perfeição absoluta, sentindo o afeto infinito sagrado e o amor. Tal afeto e amor originam um entusiasmo infinito sagrado, o que engendra uma alegria ilimitada sagrada que, por sua vez, é a fonte da súplica infinita e sagrada. Por causa deste prazer especial da Sua “Essência” Divina, Deus tem a compaixão infinita.

Por sua parte, esta compaixão faz que Suas criaturas atinjam sua relativa perfeição, a qual lhes concerne permitindo que eles cumpram seu pleno potencial.

A perfeição de suas criaturas e o prazer que estas encontram na obtenção disso regozijam tanto a Deus que Seu infinito sagrado prazer solicita o giro da criação.

Contudo, os seguidores da filosofia materialista e ciências naturais seculares, nada conscientes desta Sabedoria Divina delicada, atribuem tal atividade -que mostra o perfeito conhecimento e a sabedoria e a perspicácia- à natureza inconsciente, à cega coincidência e à causalidade. Isto provoca que se precipitem nos profundos precipícios do erro e do equívoco.


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